quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A verdade sobre mim

Tudo que existe aqui dentro agora cabe em uma pequena caderneta Campo Marzio – minha melhor aquisição em Roma. Suas páginas 8x12cm cabem perfeitamente meus registros mais secretos que complexos. Talvez por isso, não precise mais desse espaço virtual. Encontrei uma coisa mais minha do que um lugar qualquer no cyber espaço, que fizeram questão de anunciar de porta em porta – mas, não porque achavam que tenho o dom de combinar bem as palavras. Dane-se.
A verdade é que não estou mais nem ai pra muita gente. Que não me preocupo mais em agradar aqui e ali. A verdade é que tanto queria viver mais por mim do que pelos outros e pela paz mundial, que consegui.
E tanto queria deixar de ser apontada como a boneca de porcelana incapaz de se mexer dentro da caixa sem quebrar, que consegui. Claro que em mim ainda existe algo de frágil – afinal, ainda sou de carne e osso – mas, o extremismo ficou para trás. E agora sou apenas uma pessoa normal, dentro do meu limite de ser normal.
A verdade é que hoje abrigo mais garra do que conformismo. E já não vivo para balançar a cabeça de cima para baixo. Nem para as pessoas, nem para o mundo. Às vezes, nem para mim. E aflorei sentidos, manias, reflexos e limites que nem sabia que existiam aqui dentro. Viviam abafados pelo meu medo de ser eu. E só.
Não me tornei uma pessoa pior. Nem desisti do meu mundo cor de rosa. Só percebi que ele podia ser um pouco mais laranja. Que mal faz? Não acho que deva me justificar. Assim como não vou sair de casa amanhã com uma caveira pendurada no pescoço – Jaz aqui uma ex-sonhadora-bondosa-e-frágil garotinha. Vai ver eu só cresci. E crescer é o que mais quero agora.
A verdade é que eu mudei. E agora, combino muito mais com uma pequena caderneta azul com capa de couro. Até!

P.S.: isso não se trata – necessariamente – de uma despedida.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Quase chuva

Fim de tarde de mercado. Tarde de quase chuva. Mais quente que fria. Mas, sente só a brisa. Fim de tarde de sofá. De programação das 17:30h. E daqui de cima, nada parece existir lá embaixo. Lento mundo. Fim de tarde de andar lado a lado com a calçada. Passa na padaria, por favor. Tarde de rede. E tudo se rende. O riso sai, a lágrima prende. Quem vai abrir o portão? Eu já volto. Vento e barro. Biscoito de polvilho. Tarde! A imensidão do que se sente. O pouco que se entende. Entra aqui na rua das goiabas. Fim de tarde sem laranja. Melhor não sair de casa. Melhor seria a outra. Melhor rir com a proposta. Agora, pode subir. Ao som da chuva. Mas, ela leva ou trás? Me encharca de mim. Do medo ao sonho. Do inicio ao fim. O que fica pro fim? O que de mim? E da mesa redonda de mármore? O único lugar que as estrelas brilham mesmo na chuva. Um dia eu vou voltar a tempo de arrumar a árvore de Natal.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Twitter (particular):

mesmo em meio a todo aquele barulho, foi fácil ouvir sua voz. outra vez.
isso não combina com você!
tudo mudou.


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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Re-significar

Eu podia me trancar em casa e chorar até passar. Se essa for a minha vontade. É. E se eu for no cinema, fizer um happy hour, almoço em casa com as pessoas de sempre. É. Melhor esse. Ou não. Quem sabe ir até o fim do mundo. Difícil quando acaba de voltar de um lugar bem pertinho dele. Pior é descobrir que não funcionou. É que a dor de toda aquela gente, mais a minha, fez um estrago maior do que... sei lá o que. Mas, não é dor. Eu acho. É um estado de inércia, inconstância, imperfeição, covardia, zonzeira. Nunca pensei caber tanta coisa em um corpo só. Especialmente quando o corpo é o meu. É tarde para recomeçar e cedo para acabar. Estou exatamente ai, presa nesse meio tempo como o fragmento entre dois mundos que se abrem em Caverna dos Dragões. E se ele fechar comigo aqui? Mas, eu nem estou em lugar nenhum. Talvez seja só a falta de uma lista. O que eu tenho para fazer hoje? Isso, isso, isso e aquilo. E o que eu tenho para sentir hoje? Isso, isso e isso. Nada mudou. Talvez falte aquilo.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Twitter (particular):

espelho: somos só você e eu.



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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Twitter (particular):

menor que uma barata.


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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Revoada

Essa manhã eu vi um pardal. Ele não gosta de pardal, pensei. Tentei lembrar o motivo, não consegui. Só conseguia lembrar de você escorregando lentamente para o meu colo quando eu disse aquela coisa de que você poderia ser o homem da minha vida – se isso fosse possível. Não é. A forma como a gente briga e se entende e o jeito como acreditamos um no outro. Em tudo que podemos ser. Tudo que não somos. Eu só conseguia lembrar de como consigo caber no seu colo. Cada milímetro de mim. O único lugar que é possível esquecer tudo. O mundo. Ás vezes você me faz não gostar dele. E de tudo. Mas, tudo começou sem que eu planejasse – você diz. Como se isso neutralizasse os efeitos. Há duas semanas eu planejo o fim (outra vez). O que vou dizer, vestir, comer. As músicas que vamos ouvir antes e depois. Minha expressão. Mas, se tratando de mim, é obvio que vou perder o controle. Serei mais fria, talvez. Porque eu sempre sou mais fria quando não devia só pra mostrar que sou mais forte que tudo aquilo. Mais forte que a forma como acho graça do seu sono. E como não me incomodo com o seu ronco. Mais forte que o segundo a mais que você me abraça. E tudo que escrevi da última vez, a única coisa que só você vai ler. Tudo parecia estar sobre controle, até as últimas 72 horas quando eu comecei a me perguntar “e depois?”. Mil pardais começaram a voar dentro de mim. Me deu um medo de te perder tão grande, tão grande, tão grande.... e ai depois de nós fazermos os planos que eu tanto queria, comecei a ter a sensação de que você quer voltar atrás. Não só sobre isso, mas sobre tudo. Talvez eu não seja mais encantada. Melhor não pensar nisso. Só pensar que um dia depois, quando eu te olhar e você me olhar, e não for mais a mesma coisa, já é o suficiente. Para você é o nosso plano, para mim é o fim. Ainda que eu não saiba o que fazer com ele.